quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM A MISSIONÁRIA ANTONIA LUCIA CÂMARA AO JORNAL A GAZETA


ENTREVISTA EXCLUSIVA COM A MISSIONÁRIA ANTONIA LUCIA CÂMARA AO JORNAL A GAZETA - DOMINGO 04.01.09


“As pessoas ainda confudem profissão com prostituição”

SILVÂNIA PINHEIRO

Formada em Economia, Engenharia Civil e Direito, Antônia Lúcia Câmara, 35, é um nome há poucos anos não conhecido entre os acrianos, embora seja acreana de Senador Guio-mard, filha do ex-delegado Lucena Ramos, assassinado dentro de casa quando ela brincava em seu colo, no dia 25 de dezembro quando ela tinha 16 anos de idade.
Casada com o deputado federal Silas Câmara, nascido em Porto Acre, Antônia Lúcia, saiu do Acre aos 19 anos, e tornou-se uma empreendedora nata, dona de uma alma patriota, que segundo a própria, não tem medido esforços para gerar emprego e renda no Acre e levar os projetos missionários da Igreja Assembléia de Deus a todo o Estado.
A torre de sua rádio, a Boas Novas, localizada no Centro de Rio Branco, traz um nome que chama atenção: Jesus, fruto de um projeto que segundo ela não daria certo apenas pela força humana, mas necessariamente com a intervenção do Filho de Deus. “A minha vitória é Cristo, e a minha esperança vem D´ele; é D´ele que vem a minha força”, diz à reportagem de A GAZETA, que esteve em seu escritório durante duas horas numa conversa que envolve negócios, família, igreja e política.
De seu marido, ouvimos por telefone a seguinte frase: “Tudo que a Antônia Lúcia precisar, ela terá da família: amor, carinho, compreensão pela sua fidelidade, amor e respeito para conosco”.

Leia entrevista a seguir:

A GAZETA - Como mu-lher, como tem sido o seu trabalho de empresária e política no Acre?


Antônia Lúcia - Eu tenho minhas limitações femininas, mas a força que me move é Cristo. Se não fosse, eu já estaria cansada de ser caluniada, enganada e difamada por algumas pessoas do nosso Estado.
A GAZETA - Como assim?
Antônia Lúcia - Eu fui uma pessoa muito judiada pelas fatalidades e responsabilidades da vida. Meu pai morreu quando eu tinha 16 anos, e minha mãe teve que se mudar de Senador Guiomard para debaixo de uma lona no bairro do Calafate. Eu era a irmã mais de velha de quatro filhos. Passamos muitas necessidades. Mas o Senhor me deu a vitória porque eu sempre fui perseverante em tudo que almejo.

A GAZETA - Mas hoje, sua situação é privilegiada?
Antônia Lúcia - Claro. Tenho um marido, filhos, uma família abençoada. Minha filha mais velha, a Milena tem 21 anos, é formada em Direito e odontologia e a Gabriela, que está no 4º ano de Direito.

A GAZETA - Há quanto tempo a senhora é evangélica?
Antônia Lúcia - Eu conheci Jesus com 16 anos. Em seguida conheci meu marido na igreja, o Silas, que é filho de um dos fundadores da Assembléia de Deus no Acre, Luis Firmino Severo Câmara.

A GAZETA - Seu trabalho social no Acre é um projeto da igreja?
Antônia Lúcia - Eu faço esse trabalho porque eu sou missionária de Jesus, e tenho prazer em ajudar as pessoas. Trabalho com crianças, idosos e vários tipos de pessoas, principalmente com os projetos de inclusão digital e doação de alimentos, brinquedos e cadeiras de rodas, onde já distribui mais de 200 no Estado.

A GAZETA - E o projeto Celebra Rio Branco. Como ele é realizado?
Antônia Lúcia - Com a minha dedicação, sem o apoio de nenhuma instituição pública. Pra realizar os shows em Rio Branco, abro mão de fé-rias na Europa, na Disney porque eu tive uma visão de que o Acre estava sob maldição, por isso já levei o evento para o Juruá, e vários outras regiões do Estado, além da maioria dos bairros de Rio Branco.

A GAZETA - Foi num desses eventos que abriu-se a polêmica em torno de uma fala sua a respeito dos homossexuais, não foi?
Antônia Lúcia - Aquela foi mais uma maldade que fizeram comigo. Eu não tenho nada contra os homossexuais, mas como cristã não posso afirmar que o homossexualismo é algo que nasce da vontade de Deus. Nós sabemos que não é isso. Eu oro por eles, e como serva de Deus preciso difundir sua palavra aonde eu for, e isso é bíblico.

A GAZETA - Após a polêmica discussão entre a senhora e algumas lideranças da Igreja Assembléia de Deus no Acre, como ficou a relação entre vocês?


Antônia Lúcia - O propósito da minha família dentro da igreja sempre foi a união e a lealdade entre todos. Mas, infelizmente, esse mesmo sentimento não foi recíproco da parte de vários líderes no Acre.

A GAZETA - O que aconteceu de fato?


Antônia Lúcia - Nós somos vítimas da falta de cumprimento de um acordo da parte de várias pessoas, entre elas a do vereador Jessé Santiago, a quem eu e minha família ajudamos a eleger em seu primeiro mandato. Fomos os financiadores da sua campanha, nos dedicamos para que ele tivesse uma votação expressiva e acabamos sendo passados pra trás quando ele fez comigo o que Lúcifer fez com Cristo.

A GAZETA - Como assim?


Antônia Lúcia - Em troca desse apoio, eu pedi para ele e os líderes da igreja o apoio para minha candidatura a deputada federal em 2006. Então, no ano da eleição houve uma convenção da igreja em Sena Madureira onde eu fui escolhida a candidata a deputada federal da Assembleia de Deus no Estado. Fui escolhida com mais de 40 votos, sendo a única mulher na história da igreja a ter o nome aprovado numa convenção nacional. Na minha primeira candidatura em 2002, eu sabia que era difícil vencer as eleições, ms eu queria colocar meu nome na rua. Depois disso, fui para Brasília a convite do ministro do Turismo Walfrido Mares Guia para coordenar sua assessoria. Eu não queria mais ser candidata, já tinha desistido da idéia. Mas, eles foram no meu apartamento em Brasília, convenceram meu marido e meus cunhados e me convencer a ser candidata. Mas, na verdade eu estava sendo vítima de um golpe para financiar a campanha de vereador do Jessé em 2004. Quando chegou 2006, o acordo não foi cumprido comigo.

A GAZETA - Mas a senhora foi candidata?


Antônia Lúcia - Sim, mas sem o apoio deles porque o projeto do Jessé é ser candidato a deputado federal em 2010 e seu propósito é me tirar do seu caminho e qualquer outro membro da igreja que se levantar como ameaça ao seu projeto político.

A GAZETA - Por isso, a senhora se sente traída?


Antônia Lúcia - É óbvio. Hoje eu congrego na igreja da Vila Acre sob o comando do pastor João da Silva. Minha relação com a Assembléia de Deus em todo Estado é amigável e verdadeira. O que aconteceu me abalou muito, mas eu me mantenho firme. Fui traída pelo Jessé e por outros líderes, mas a igreja votou em mim.

A GAZETA - A senhora tem fama de confusenta, briguenta e barraqueira. Isso é ruim para um cristão?


Antônia Lúcia - Eu não sou barraqueira, apenas não vou aceitar a forma opressora como algumas pessoas da igreja querem conduzir os cristãos. Eu não vou me dobrar a nenhum homem que não sabe amar o povo de Deus. Não adianta me difamarem porque ao contrário de alguns deles, eu não tenho o vírus da traição no sangue.

A GAZETA - E a senhora ainda será candidata a deputada federal em 2010?


Antônia Lúcia - Se Deus quiser, sim. Sei que sou um vaso escolhido para essa função e não preciso dela para viver bem, comprar um carro novo, viajar de férias, e outros privilégios. Eu sempre tive coragem de trabalhar para me sustentar com minha família.

A GAZETA - Qual é o seu vínculo com o deputado estadual Walter Prado?


Antônia Lúcia - Eu o apoiei para deputado, mas muitas pessoas fazem questão de macular essa relação. Na verdade, eu sempre o admirei, desde criança. Eu sou filha de delegado e o Drº Walter foi o responsável pela prisão do assassino do meu pai, que estava foragido há 18 anos, ele estava impune. Eu e minha família seremos eternamente grata a ele.

A GAZETA - Como a senhora vê a tripla jornada feminina dos dias de hoje?


Antônia Lúcia - Acho que não há igualdades entre mulheres e homens quando se fala em justiça, principalmente no que diz respeito a profissão. As pessoas confundem profissão com prostituição. A mulher trabalha fora, cuida dos filhos, do marido, dos estudos, da casa, e tantas outras tarefas que só a mão de Jesus pode nos sustentar.

A GAZETA - O que a senhora espera para o Acre em 2009?


Antônia Lúcia - Que as pessoas e as autoridades sejam mais humanas e que o egoísmo saia do nosso meio, deixando a igualdade mais permanente entre nós, acabando de vez com o sofrimento entre os homens. Que todos sejamos fruto da misericórdia e do amor de Cristo Jesus. Só assim poderemos nos tornar pes-soas melhores.

2 comentários:

  1. Declarações claras e objetivas, uma postura brilhante, características de uma líder nata!

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  2. Infelizmente usa igreja para buscar poder

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